Fiquei devendo uma postagem sobre os shows que assisti na 11a edição do
festival Rio das Ostrasde jazz & blues, que aconteceu no período de
29.05 a 02.06.2013, no maravilhoso balneário fluminense de Rio das
Ostras. É a segunda vez que vou a este festival, e é importante que as
pessoas fiquem sabendo desse tipo de evento pois , no país não existem
muitos eventos com esse, daí é importante divulgar. Então vou dividir um
pouco dessa minha experiência aqui no blog.
Só pra se ter uma ideia, esse festival reúne cerca de 30 mil pessoas,
com 29 shows em quatro palcos e mais de 60 horas de boa música, e tudo
isso de graça!
Aqui é o palco da praça São Pedro:
Palco da praia de Costa Azul:
Palco da Lagoa do Iriri;
Palco da Praia da Tartaruga:
Vejam a seguir as atrações que assisti e um breve comentário sobre os shows.
Stanley Clarke fez um show focado no baixo acústico, mostrando várias
possibilidades desse instrumento. Apresentou sua pesquisa de técnica
tirando sons de um modo não-convencional, mas mostrou também suas
composições consagradas.
Scott Henderson veio com uma formação de trio, com Travis Carlton no baixo e Alan Hertz na bateria. Tocou um repertório focado em seu trabalho solo e algumas da fase Tribal Tech. O timbre que Henderson tem buscado nada lembra o da sua fase fusion, e o que eu ouvi nos shows foi uma textura sonora crua, bastante blues-rock-jazz e jazz experimental. Henderson não fez um show para o grande público, tanto que a reação do público foi respeitosa, porém não tão entusiasmada. Mas para mim foi um dos melhores do festival.
Lucky Peterson e Tamara Peterson fizeram um show de Blues dançante com
muita energia e empatia com o público. Peterson mostrou virtuosismo no
órgão e na guitarra blues. Vale a pena conhecer melhor essa dupla.
Vernon Reid trouxe um repertório fusion com ênfase no soul e blues-rock. Achei que ele teve problemas com o som. Particularmente o som que ele tirou nesse show não me agradou muito. Também achei o fraseado de Vernon pouco adequado para essa proposta de repertório, que é bem diferente do trabalho dele com o living colour. Maya Azucena foi uma grande revelação pra mim e colaborou muito no trabalho de Vernon.
Christian Scott é um jovem e virtuoso trompetista de jazz, e veio acompanhado de uma super banda, um quarteto formado por Lawrence Fields
(piano), Luques Curtis (baixo), Corey Fonville (bateria), Braxton Cook (saxofone), todos eles jovens negros com idade de, no máximo 22 anos. No repertório modern jazz e bebop, sem concessões fusion. Improvisações de altíssimo nível, e temas autorais de muita complexidade. Vocês ainda vão ouvir falar muito nesse cara!
Will Calhoun (bateria) e Donald Harrison (sax), fizeram um show maravilhoso. Pra mim o melhor do festival, pois trouxe uma concepção musical de alto nível, técnica leve e virtuosa, pesquisa sonora com influências afro-latinas, experimentalismo eletrônico, e improvisações fantástica.
Sem dúvida essa edição do festival foi em homenagem aos baixistas, e Victor Wooten foi uma dessas estrelas do universo da clave de fá. Wooten veio com uma formação bem peculiar: Victor Wooten (baixo), Steve Bailey (baixo),
Anthony Welington (baixo), Dave Welsch (baixo, teclado e trumpete), Derrico Watson (bateria) e Krystal Peterson (vocal). O show foi concebido para causar o máximo de empatia com o público, e teve um repertório instrumental funk-fusion com muita energia, e algumas canções conhecidas da platéia, onde Wooten pode mostrar toda sua técnica e musicalidade.
Leo Gandelman tem um repertório jazz-pop bastante consagrado e trouxe como diferencial a participação de Charlie Hunter, que desenvolveu a incrível técnica de tocar guitarra e baixo ao mesmo tempo, de forma independente. Foi um show light para o público curtir.
Byu Sintesis mostrou uma de concepção big band, com arranjos muito bem elaborados e um som de metais espetacular.
Arthur Maya trouxe uma banda super jovem, de um projeto que ele participa no Rio, como ele próprio falou, uma seleção sub 20. O destaque foi um jovem cego pianista muito bom. Arthur Maia é um grande músico, que tem um som de baixo soberbo, não fica atras de nenhum cara estrangeiro.
Diego Figueiredo foi o representante do violão brasileito no festival. Particularmente não gostei do som que ele tirou nesse festival. Achei que foi por culpa do técnico de som mesmo. Tirar som de violão acústico não é tarefa muito fácil mesmo. Diego fez um show pra galera e achei que ele exagerou um pouco nesse objetivo. Sem duvida ele toca muito, mas o repertório escolhido foi muito redundante nesse objetivo de agradar o grande público.
Por último dois guitarristas que não tocaram no palco principal, mas fiz questão de assistir.
Fernando Vidal é conhecido por tocar com artistas como Ed Motta, Beto Guedes, Cássia Eller, Zélia Duncan, contudo mostrou um trabalho apenas regular como guitarrista instrumantal.
Já Mauro Hector trouxe um show vibrante de blues-rock-fusion, onde dele tirou um som espetacular de guitarra, mostrando um domínio técnico e improvisações de alto nível.